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A arte é democrática

Eu estava sentado conversando com um desconhecido no Centro Cultural Oscar Niemeyer, onde ocorria o 7º Grito Rock Mundial, em Goiânia/GO. Alguns skatistas andavam do outro lado e de repente, um deles usou a cúpula(igual a do Senado), que abriga o teatro, como rampa. Observei aquilo impassível, não consegui fazer qualquer julgamento no momento. Estranho.

Rapidamente um guarda veio cobrir o local e evitar que outros skatistas fizessem o mesmo. Então, o desconhecido disse que aquilo – usar a cúpula como rampa – era um desrespeito ao autor do projeto. Como um impulso instintivo, eu discordei. A minha tese foi feita instantâneamente. Defendi que, aquilo era a expressão máxima da arte. O ápica de interação entre homem e obra. Aquele acontecimento refletia toda a luta dos artistias modernistas. Um grande feito mas que não foi capturado. Talvez nunca mais seja refeito.

A arte, tem seu aspecto intangível, quando nos faz refletir sobre a mensagem que a obra quer nos passar e quando observamos como nossos sentimentos reagem à mesma. Essa é a primeira interação, feito pelo olhar e a mente. Uma manifestação espectral, de conceito e emoção.

Quando a arte mostra seu aspecto funcional, quando a obra ganha funcionalidade real. Obra e homem viram um só, pelo toque ou pelo uso diário. Seja naquele prédio construído de linhas abstratas, belas mas que abrigam pessoas em um espaço bem aproveitado. Seja no momento que aquele skatista usou a construção bela e imortal, como rampa.

Melhor ainda é quando esses espaços, que em outros lugares é elitizado(Brasília), abrigam pessoas comuns, minorias e outros normais. Para propagar a cultura e a solidariedade.

A arte é democrática. Em todos os sentidos, literalmente.

 
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Publicado por em 11 de fevereiro de 2013 em Uncategorized

 

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Gordura moderna

Chegaram a mim e disseram:

– Vamos fazer!

– O quê? – Respondi assustado.

– Vamos fazer o seu dia!

– Já o estou vivendo…

– Será?

– Sim! O que haveria de mudar? De onde você veio? Está delirando?

– Não deliro, sou discípulo do grande verbo agir.

Olho perplexo. Isso é tudo culpa do governo, esses pobres diabos ficam nas ruas fumando crack e atrapalhando a nossa vida, tão atarefada. Somos trabalhadores! Governo maldito e esse indivíduo ridículo. Estragou o meu dia…

– Caro discípulo do senhor agir, posso ir? Estou atrasado!

– Não vou te perder, sou o mensageiro da salvação!

– Já enfrento Testemunhas de Jeová domingo em casa e evangélicos 24 horas por dia na tevê e agora você?

– Escutai a palavra! – Disse o enfermo já exaltado.

– Escute! Eu sou discípulo do verbo seguir. Conhece? Tenho horário, minha rotina deve ser seguida a risca.

– Claro que conheço! Lembro-me de tal vilão, um podre grandalhão, imóvel e sem emoção. – Respondeu o infeliz com um ar saudosista e lampejo de razão.

– Você tem 5 minutos. – Resolvi ceder a pressão…

– Bom, meu adversário, seu lorde, usou a mesma estratégia que você, emboscou o excelentíssimo agir-mor em um beco temporal, após isso, lançou suas correntes tecnomatemáticas e o fez sangrar. Subornou alguns policiais e médicos posteriormente. O resultado foi este: internação compulsória. Vou visitá-lo hoje, talvez. Ele me conta suas aventuras e explica ditadura que Seguir impõe, estamos formando uma guerrilha!

– Como você diz “talvez”? Com certeza pertences a mesma clínica, seu louco! – Respondi já sem paciência.

– Não. Eles ainda não me pegaram. Somos perseguidos nessa guerra civil mas sou ágil. Todos podem ser polícias infiltrados mas eu sei que você não é. Seu olhar tem resquício de lucidez e sabedoria.

– Você é que não tem resquício algum de lucidez. Até mais, já perdi tem demais!

– Pode ir mas lembre-se que o senhor atendeu ao meu telefonema naquela noite. Escutou e entendeu minha voz quase surda. Eu estava amordaçado naquele dia, mas expeli alguns grunhidos. Sei que foi o suficiente para te reviver, meu discurso foi vigoroso. Seu coração voltou a bater, ele reagiu a minha massagem. Só quero te alertar para o seguinte: suas artérias ainda estão entupidas, preciso que venha comigo!

Vou embora, não consigo mais escutar esse maldito. É louco inconsequente. Sou sábio, meu currículo mostra isso, porém, mau sabia eu que 2 horas depois morreria de infarto.

 
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Publicado por em 16 de janeiro de 2013 em Uncategorized

 

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