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Escuro festivo

16 dez

Abriu a porta do porão, sem cerimônias. Um escuro fatidico e nada obscuro como outrora parecera, fechou a porta e resolveu encerrar essa investigação. Investigação de estranhos barulhas, cadenciados como um molestado soldado, trazendo maior pânico aos ouvintes de passagem. Mas a diária dor de cabeça serviu como justificativa e o caso estava encerrado. Resolveu aproveitar para dormir. O caos noturno se assemelhava à dias festivos, que nunca acabavam e pouco lhe agradavam. O sono bem definido para aproveitar o sossego matinal.

Já acordado, horas antes do nascer da luz. Tal momento não poderia ser melhor para suas atividades escolares, antecendo o começo de sua rotina e o pagode diário. No banheiro, pequeno, com cerâmicas cansadas, com tom amarelado da lâmpada depenada. O chuveiro já desgastado pelo tempo e uso, se esforça para levar a água ao encontro de seu rosto e pouco responde à força imposta. O café já frio é até bom, não causa choque térmico. Pronto, se confortou na cadeira e pôs o material na mesa e começou seu exercício. Não haviam muitas dificuldades, o bom lugar na sala lhe privilégiava e afoito preencheu rapidamente as folhas outrora brancas.

O que viria depois era simples, ir ao colégio e após ir ao trabalho. Durante o longo tempo de ócio ficava intrigado com os barulhos, alguns disseram ter ouvido mas sentia que lhe davam mais impacto. Mais problemas para resolver e sem soluções ao fundo, seguir em frente dava mais resultado.

Ao chegar no trabalho, se deu com seu supervisor, lhe parabenizando pelo sucesso na seção. Batendo a meta com dias de antecedência. Embriaguez de felicidade, apenas para não desmerecer a festa. O salário não mudou e mesmo se mudasse não podia estar no caminho certo. Trilhou sua rota e agora estava se desviando, seu eixo estragado a muito tempo, só agora repassou os danos ao resto da estrutura. Atacou as trouxas e as suprimiu, pegou o rumo para o lar.

Novamente em casa, voltasse a porta do porão, malditos barulhos que lhe assombram ao padecer da lucidez. Era esse o horário exato que sempre começavam, já estavam todos a dormir, apenas ele reabrindo a investigação. Abriu a porta, o escuro já não era fatidico, era vermelho, subitamente o barulho reaparece, dessa vez cadenciado como soldados no vigor da servidão. Suas pernas sentem vontade de seguir os “passos” como se possuissem massa encefálica. Quando se da conta, já aparece no meio do comodo, com as formas bizarras que assombram, formadas pelas sombras dos antigos móveis e por coisas que não se viam. Olhando ao redor, sem os passos, apenas o silêncio torturador que anunciava um grande acontecimento. Segundos, minutos, horas, não se sabia a velocidade com que se passava, só sentia a força obscura que prendia-lhe os pés ao chão. O líquido que lhe encharcava era cada vez maior e só agora percebia quem ali estava. Vestido a traje maestril, formas límpidas e um olhar de criptas violadas por espoliadores do inferno. Não haviam termos certos para definir o tal quanto seu olhar era assustador. O estranho ser chegou perto e examinou o convidado, analisou seus mais profundos e obscuros desejos, colocou na mesa os obscuros e seu ódio em abundância, temperou com seu poder místico. O garoto já sem forças, se pôs joelhos e observou o preparo do banquete. Sua angustia, seu ódio, tudo que era de mórbido e pecaminoso foi usado e o homem cantarolava sua poesia simbólica, o local já era rasgado por luzes com espasmos vermelhos e de poder que transbordava a lascívia e viboras etéreas. Tudo parecia estar pronto para o começo.

O homem então da início a festividade.

 

 

 

 

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Publicado por em 16 de dezembro de 2011 em Uncategorized

 

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