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@offtopic – Morte às molas

04 nov

Levantei como príncipe às 5:30h, não havia motivos para isso, bater o ponto só às 8:00h. Resolvi me refugiar no parque perto de casa. O tom verde impregnado de terror se chocava com pequenos feixes de luz. As flores acordavam e exalavam seu etéreo perfume que se diluía no vento. Resolvi acomodar-me no banco, senti temor ao perceber que esperava por esse dia. O rio fundo, escuro, penetrado pela luz nascente, seria hoje meu servo. Olhei-o e vejo a face do mal, os sentimentos mórbidos e monstruosos e conflituosos. Como poderia chegar a isso, como poderia conhecer meu trágico fim desde os primórdios. Resolvi refletir.

Há pessoas que certamente me resgatam dessa vida enfadonha, pessoas que ajuda a empurrar essa velha carroça pelas límpidas estradas. Sim, falo de meus amigos, velho companheiros de vida. Não há de reclamar, sempre estiverem ali. Pode-se dizer que eram ideais, mesmo sendo algo impossível, de certa forma acreditei neste mito e me enganava nele.

Os alicerces não brotaram do cansado solo. Minha família ali esteve para esculpi-la e lapidarem, antes de se petrificarem novamente. Uma família perfeita, ainda hoje com tantos anos propícios a desastres. Não é muito grande, mas traz o agrado necessário para crescer como eucalípto, rápido chegar as luzes solares. Lembro de quanto reinava naquela casa, não deixava a desejar e sempre mostrei porque era soberano, as travessuras não deixavam a desejar.

Quase todos os dias, às 17horas bato o ponto para libertar meu corpo e alma de parte da mazela rotineira. Talves saia com os amigos ou visite a família, boas propostas para refugiar-me dos fragmentos de minha alma já morta. Repudio os falsos moralistas que dizem não haver motivos para isso, repudio os eclesiáticos que dizem haver só um amigo, aquele ser onipotente que foi um dos primeiros a me deixar.

Provavelmente cai no nessa trilha no começo de minha vida, aquele ano difícil que libertei-me e conheci tamanho sepulcro, a liberdade que me talhou a vida. Anos que conheci os mestres do saber, senti o espírito da luz própria que me corrou pelos anos. Não há arrependimentos, tal liberdade é tamanho remédio para a mente já cansada do ser humano. Há sempre um preço, um dano colateral, a contra-reforma.

Talves o haja um remédio para esse mal, talves eu saiba como terminar com esse estado de angustia e solidão. Eu sempre soube mas faltou a coragem, faltou o compromisso de aceitar que esse é realmente o fim do problema. Sacrificarei algo, não é de tamanha importância. Assim poderei acabar com essa infima existência, vida de mola, ao redor de família e amigos se vibra convulsivamente mas quando está sozinha se fixa em posição inerte, expelindo tétricos e atrozes sentimentos. Essa velha carroça da espasmos agora, perto do momento tão aguardado. No futuro flamejante e impuro como meu sangue. Que as águas deste rio purifiquem minha alma já caida, jogo aqui meu sacrifício. A vida.

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Publicado por em 4 de novembro de 2011 em Livre

 

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